Poesias

Familiares            

Rosa Bruta

Tocar-te, é ferir-se!

Sentir-te, o perfume, é aprisionar-se!

Fitar-te, é petrificar-se!

Provar-te os beijos, é saborear o néctar e a cicuta que escorrem por entre os teus lábios e por fim adormecer-se!

Saciar-te, é padecer de eterna fome!

Escutar-te, é confundir-se!

Acreditar-te, é lamentar-se!

Ó bruta flor de beleza, tentei, mas foi impossível remover os teus espinhos, que tanto me magoaram, que quanto me agrediram!

As tuas raízes já não tocavam mais a terra!!!

Mas da desventura me desgarrei!

Fugi dos porões do teu navio mercante, com as costas rubras!

E precisei de tempo, de muito tempo, para sarar as sangrias do meu coração!

Conhecer-te, foi uma armadilha do destino?

Amar-te, foi a jovial inocência do meu ser!

Deixar-te, foi um sábio privilégio!

Mas que mais do que por encanto, enfim deste tortuoso amor, nasceu uma rosa terna, meiga, carinhosa e gentil,

Uma rosa de puro amor; uma rosa de beleza inconfundível e perfume incomparável, arraigada à terra, enraizada no meu coração.

E é por ela, ó Rosa Bruta sofrida, que ainda toco em teus espinhos, que ainda ouço a tua voz.

E te trato agora, por rosa mãe do amor!

 

Autor: Eduardo Gomes
Data: 19/06/2001


 
 

Categorias Poéticas:


Eduardo Gomes          Tel.: 55 - 71 - 98148.6350     Email: ebgomes11@hotmail.com