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O Circo!

Dos circos que por minha vida, passei!
Nenhum foi tão marcante quanto aquele paupérrimo circo!
Sob uma tenda cujas estrelas se viam,
Suas estrelas eram estrelas simplórias!

A música estridente, uníssona e única dizia:
Fá! Faro faro faro! / Faro faro faro! / Faro faro faro! / Fá! Fá!
E interminavelmente ressoava numa velha vitrola!

Os guizos dos palhaços soavam,
Rugidos enferrujados, na história,
E os bichos que neste circo estrelavam,
Eram três jumentos, órfãos, famintos!

As moças com três semblantes distintos,
Eram ciganas com o pó da estrada, no rosto!

E a molecada toda animada no circo
Cantava, zunia, gritava a interminável farofa!
Até que o vitroleiro, trocou o disco,
E ouviu-se de então:
Pisa na Barata /  Mata esta Barata!

E na hora mais esperada do circo,
Ergueu-se uma trapezista simplória,
E aos solavancos de suas acrobacias corpóreas,
Proveu-se a história de seios murchos e raquíticos, expostos!

Para o delírio e gozo em riso,
De toda a garotada no circo,
Que nesta hora urrou,
Estrondosos sorrisos sarcásticos!

E a pobre moça, cigana, empoeirada,
Com a cara tristemente lavada,
Por lágrimas em sorriso envergonhada
Partiu como morre uma flor!

Na volta, no caminho, na praça,
Meu tio que havia tomado cachaça,
Forjou uma brincadeira sem graça,
Encheu um dos jumentos de cachaça! 

Autor: Eduardo Gomes
Data: 04/10/2001


 
 

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