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Shirlene Conceição

Perdão pequena flor! Perdão!!!
Por ti, em prantos, choro todas as minhas mágoas!

 

Por ti pequenina menina, que dos pobres pais, ao nascer, fostes abandonada.
Órfã! Sozinha, neste mundo cruel! Sem Deus! Só cruz! Crucifico-me!
E condeno-me a derramar todas as lágrimas; arrependido, envergonhado, não pelo ato, mas pela omissão!?

 

Que do anjo ao ouvir o pedido!? Que da santa, que me sussurrou aos ouvidos, meu senhor, meu bom homem,
Tu que tivestes das sortes a maior, tu que vives com teus pais ao redor, sorte de amar e ser amado,
Sensibiliza-te por Shirlene Conceição, a três anos a pequenina flôrzinha do serrado!?  

 

Vá lá, meu bom homem!? Vá lá!?
Rua das quintas, sem número, um sobrado!
Mil crianças no chão, coração esfacelado; Shirlene Conceição não é a flor do pecado!!!

 

Dá lá, meu doutor, seu recado, acaricia a flôrzinha do sobrado!?
E regai por amor seu jarrinho, dez tostões construirão este ninho, dez tostões não serão o teu fardo!?

 

Sim eu vou, sim eu vou. Eu não fui!? Ai que dor! Ai que dor! Como é ruim!
De amar e amar, ser amado!?
Rejeitar, rejeitar do sobrado, a santinha flôrzinha do serrado!?

 

Meu senhor! Minha senhora! Não descarto; a detestável omissão do meu ato!
De ao menos, por mês, por um pacto, me entregar à este amor no orfanato,
De inchertar com tostões um bom prato.            

 

E agora, no meio desta natureza morta, deste mato, desta selva de pedra, hiato,
Não consigo cruzar meu retrato!!!

 

E a cada dia, criança sofrida, te procuro neste mundo abstrato!?
Pois te encontrar vai sarar a ferida, desta outra criança sofrida!?

 

Encontrar-te pra botar no porta-retratos, ó querida;
a minha face ó criança esquecida, a beijar-te pra sempre, que ato!

 

E de fato selar nossas vidas, com carinho, muito amor e um bom prato!!!

Autor: Eduardo Gomes
Data: 30/03/2000


 
 

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