Poesias

Confessionais            

Cachaça!

Meu corpo pesa, meu peito arranha.

Minha alma devassa, a vidraça espanta.

Não sinto frio, não sinto calor.

Não sei o que sinto, mas sinto que não estou...

 

Não estou aqui, minha cabeça arranha.

Não estarei ali, não estaremos lá.

Tenho medo, não sei medo do quê.

Tenho pavor, sou frágil...

Sinto horror, estou prezo nos meus mais íntimos pensamentos.

Tenho pressa, sinto preguiça, quero cachaça.

 

Tive tempo e o tempo é o que nos resta.

Tenho sede, não é de água, não é de vinho, não sei do quê.

A fome é o que me resta.

A gula toma conta do meu ser.

A banha já reprovou o meu corpo.

 

Como fugir? Preciso fugir!...

Como sumir, sem me encontrar?

Não quero me encontrar por aqui!

Preciso de tempo para pensar!

Não paro para esperar sem sentir, sem perceber,

sem me tocar profundo, profundo, profundo...

 

Eis o meu jeito! Assim encaro as feridas de minh’alma.

Eis o meu semblante,

no espelho ainda percebo espinhas em meu espírito.

Não tenho mais ilusões!

Não restaram sonhos! Estes foram demolidos pelo tempo!

 

Teu carinho é o que me resta.

Teu corpo curvilíneo é o meu templo.

Preciso orar em ti!

Preciso receber de ti os louros da paixão.

Quero te tocar para sempre.

Quero te encravar como tridente, nos músculos do meu coração!!!...

Autor: Eduardo Gomes
Data: 02/12/2000


 
 

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