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Existencialismo e Loucura!

A questão existencial, não me sai da cabeça, pois se a vida não tem nenhum sentido, mesmo assim ela existe, e a sua existência temporal pode ser o seu único sentido. Então viver! O que fazer? Como viver, como gozar ao máximo esta vida?

 

Para mim uma questão fundamental, se este hausto da natureza existe, como pendê-lo para o lado do belo, para o lado do virtuoso, se não se sabe ao certo o que é virtuoso realmente. Será que o virtuoso está para o conceito de moral e ética?

 

Pois bem, concordo que devemos viver de acordo com as regras do bem estar universal, eliminando ou contendo ao máximo as regras da agressão.

 

Partilhar tudo e de tudo dividir, repartir do pão e do vinho, alimentar o corpo e o intelecto de todos os seres humanos para que estes possam viver saciados e com sabedoria, os sonhos do espírito.

 

“Sentindo frio em minh’alma”, notei a fragilidade do meu maquinário nos batimentos quase perpétuos do meu coração, então orei, roguei e pedi a Deus, que ele bata, mas que bata por pelo menos 100 anos na lucidez da minha loucura ideal.

 

Que seja louco, mas que seja lúcido, dentro de mais este conceito abstrato, a loucura; sendo fantástico notar e me identificar com Foucoult, quando ele disse que a escrita é um delírio da loucura e dos loucos. Fantástico, será que nós, decodificadores, realistas ou sonhadores, escrevemos só por delírio vão; só por passagens enigmáticas de loucura e abstração?

 

O que queremos com a escrita? Talvez estejamos apenas rabiscando papel, ou quem sabe adulterando o nosso mundo ulterior.

 

Mas ainda assim, o que é a loucura? Será a desesperada fuga da realidade petrificada e venenosa. Morder o veneno é morrer; desprezá-lo, cuspí-lo, atirá-lo ao longe é o sábio mecanismo natural da loucura, visto que a sanidade é um objeto puramente artificial e idealizado, forjado no contexto social, moral e ético.

 

Por isso e por tudo não devemos padecer de loucura. Devemos viver e arbitrar dentro dela, esta loucura sadia que nos mantém imunes ao fatalismo, que nos alivia da dor e que nos é só prazer.

 

Sendo o prazer a sabedoria máxima dos loucos, e sendo a loucura a representação perfeita do prazer, pode se notar que existem animais que sentem prazer até na dor, mas na carne o que querem é o prazer.

 

Ainda assim ignobilmente, a quem negue o prazer a seus discípulos, a quem diga que não somos loucos e que por certo se tivermos fé, seremos sadios e perpétuos. A quem persiga, casse e até mate por ser sadio e ter de justificar a sua sanidade hedionda.

 

E o que é ser saudável? Ser saudável, para mim, é ser louco, é ousar viver dentro dos conceitos do prazer e por derivação, da moral e da ética social que represente o lado dito positivista de nosso vetor natural.

 

Ser saudável! É estar diante da beleza de uma mulher e contemplá-la com ou sem erudição, na direção perfeita da admiração despretensiosa e natural; embasbacado com sua beleza física, alucinado pela beleza sinfônica de um canto ou de uma instrumentação; arrepiado pela voracidade impiedosa e pela beleza arrebatadora da Natureza.

 

Na graça de ser um ser feito só para viver, nem que seja por um milésimo de segundo, a impagável e inexplicável amplitude da vida, seja ela humana, ou natural.

 

Foucault escreveu, que escrever é um ato subversivo, e obviamente não podemos retirar-lhe a razão, pois até a escrita mais prostituída é amplamente subversiva, podendo inutilmente perverter ardilosamente o intelecto de mentes pouco críticas, mas nisto não vejo muito risco, pois acredito que assim como são falsários, são sonhadores e os sonhos fazem parte da nossa eternidade.

 

Reporto-me agora à questão da mentira vendida e perigosa e que possui propósitos não mais secretos de bestializar a multidão massificada e humana, com o intuito de que? Por Deus, quais são os verdadeiros objetivos? Querem acumular riquezas, saqueando-as dos sedentos de inocência contemplativa e luxuriante? Ou querem, como crianças inocentes que somos, fugir em máxima velocidade da realidade carrascosa?

 

Por Deus! Gente inocente! Patrocinadores do universo espiritual e material: acumular riquezas, vender religião e salvação é coisa de gente sadia. Vamos comercializar produtos para os loucos, vamos vender a salvação da alimentação, da saúde e da educação, nos constrangendo por certo com o que temos visto e tomando medidas realistas para a contenção de nossas mazelas universais.

 

Quero convencer aos senhores que é mais sadio e valoroso, vivermos da realidade e dentro das verdades aniquiladoras, porém irrefutáveis, vivendo sim, comprometidos com a morte, mas também completamente felicitados e identificados pela vida.

 

Novamente quero retratar a educação, a posteriori das necessidades básicas, mas também com o que é filosoficamente, cientificamente e artisticamente mais belo dentro dos nossos conceitos de virtuoses morais.

 

Vamos nos educar, mas nos educar com prazer, para que possamos valorizar cada vez mais a vida de todos os entes humanos e naturais que habitam a nossa aldeia.

 

Fazendo do estudo perpétuo de nossos mecanismos naturais, o mecanismo perfeito para a construção tão sonhada de um mundo melhor.

Autor: Eduardo Gomes
Data: 26/01/2000


 
 

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