Poesias

AUGUSTO DOS ANJOS            

Soneto I!

O Templo da Descrença – ei-lo que avisto. A [ imensa
Cruz da Dor está serena como um lírio!
E vejo o pedestal que sustenta o Martírio;
E vejo o pedestal que sustenta a Descrença!

A colunata êxul do Sonho Morto – o círio
Da Quimera Falaz, o túmulo da Crença,
Tudo! Até o altar onde a Angústia vibra intensa
N’uma fúria assombral de feras em delírio!

Penetro louco enfim o abismo funerário,
E a rasgar, a rasgar, o lúrido sacrário,
Em mim como no Templo a Angústia se [ condensa,

E em mim como no Templo, urnas de Sonho; [ e, em bando,
Flores mortas da Aurora, e, eu sombrio chorando
Ante a imagem fatal do Sepulcro da Crença! 

Soneto de Augusto dos Anjos.

 

Autor: Eduardo Gomes
Data: 18/10/2005


 
 

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