Poesias

AUGUSTO DOS ANJOS            

Pecadora!

Tinha no olhar cetíneo, aveludado,
A chama cruel que arrasta os corações,
Onde seios rijos eram dois brasões
Onde fulgia o símb’lo do pecado.

Bela, divina, o porte emoldurado
No mármore sublime dos contornos,
Os seios brancos, palpitantes, mornos,
Dançavam-lhe no colo perfumado.

No entanto, esta mulher de grã beleza,
Moldada pela mão da Natureza,
Tornou-se a pecadora vil. Do fado.

Do destino fatal, presa, morria,
Uma noite entre as vascas da agonia,
Tendo no corpo o verme do pecado!

Soneto de Augusto dos Anjos.

 

Autor: Eduardo Gomes
Data: 18/10/2005


 
 

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