Poesias

Contos Infanto-juvenis            

A Estrela Dalva!

Dalva, da terra da luz,
Sofrida desde menina,
Órfã, num martírio de cruz,

Aos 8 anos começou a prostituir-se,
Em troca dum prato de comida,
Nas ruas do Centro Histórico,
Nos troncos do Pelourinho!

Dançava na praça para a galhofa,
Bailava na praça para a cachaça,
Chorava de tristeza e desgraça,
Não tinha sequer uma boneca que lhe servisse de companhia!

Sempre a ousadia de perversos pedófilos,
Há espreitava,
Há consumia,
Há mortificava em vida!

Dalva aos 13 anos, depois de tanto sofrimento,
Bebeu dum pote de formicida,
Morreu ao léu da razão, vencida,
Morreu no banco da praça!

Mas Deus, a quem tudo vê e sente, de quem tudo guarda,
Redentor de tua desgraça,
Tornou-a, a estrela mais linda,
Mais linda dos céus,
A Estrela Dalva!

E Dalva em prantos, numa rogativa, enamorada de Deus,
Enciumada com o brilho e claridade da Lua, pediu-lhe,
Fazei bom Deus, que a Lua morra para que eu Viva,
Absoluta nos Céus!

Fazei que ela míngue para sempre,
Para que ninguém mais me suplante,
Em beleza, luminosidade e claridade,
Eis o meu pedido à ti, enamorado meu!

E Deus, por Dalva apaixonado,
Sentindo-se culpado,
Pois foi quem deu todo o brilho à Lua,
Sua velha amante confessa e eterna enamorada,
Tergiversou de Dalva a rogativa,

Matai esta Lua meu Deus, para que eu viva,
Para que seques meu pranto!
Para que o mundo ame meu semblante,
Mais do que ela é amada! 

E Deus, coração dividido,
Entre sua velha amante,
E a jovem Estrela Dalva,
Não desfez o encantamento da Lua,
Mas tornou-a minguante!

De Dalva a rogativa,
Fazei, bom Deus, que ela morra para que eu viva,
À brilhar por todo instante,
Encantando os planetas,
Inebriando os cometas,
Cativando os asteróides,
Seduzindo ao amor, os antropóides,
Sendo rainha em todas as constelações!

 

Autor: Eduardo Gomes
Data: 22/04/2005


 
 

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