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Triste Sabiá!

O sabiá, surgiu da serra,
E o omi, cun a moto-serra,
Deu um golpe de machado bronco,
Inguinoranti derriubando o tranco!

Sabiá, triste, desolado,
No chão desconsolado,
Por Deus, por minha famía,
O tronco era minha fia!

Mas como o omi, mata e consomi,
Tudo que a terra produz,
Inté inseto que sobe e some,
Que traz na bunda a sua luz!

E eu fio da moléstia, da terra árida,
Fio desta triste quimera,
Vi tanta gente impávida pálida,
Fui nos jardin mode colhe uma hera!

Para prantar o seu buquê,
Ocê que é a frô mais formosa da natureza,
De belezura e tanta tristeza,
Por ter sido sofrida, me faz sofrê!

Mas trago no peito a esperança
Desde a mais lindia infança!
Que todo matuto, consigo guarda
Uma espengarda é minha lembrança,
Dos meus tempo de farda!

De não pará pelos caminho,
É meu destino, a minha sina,
Pois toda rosa tem seus espinho,
Removo a dessa, pressa menina!

Que me encanta com tuas trança,
Me faz sorrir nesta ciranda,
Ciranda da vida e da constança,
Ciranda do tempo que é módico e pequenino!

Na roda que roda, no tempo que não é dinhero,
Pois quem disse que o tempo é dinhero,
Num passa dum asno campêro,
Pruquê nessa terra á tanta burrice e feiura,
Dô, tristesa e amargura!

Montei meu jegue pelos caminho da lida,
De bons poeta da bibriotéca que li
Inscrevi poesia qual alma sofrida,
Da dô da mata, do sabiá, do sertanejo, do colibri!

Montei na minha égua, cavalgadura de esperança
Que sempre é a úrtima que morrri,
Pois desde a infância colhi espinhos,
Nos jardins da desesperança!

Brindei numa caveira de coveiro a doce morte,
Versejei a morte do meu filho primeiro,
Senti a dô do mundo inteiro
Quando de um carneiro vi do açoguero o corte!

Mas um anjo bom e guardador,
Dum paraiso mais bonito,
Olhou pra mim, me viu aflito,
Acuado e com muita dor, depois de trabaios forçados,
Inteligente, reconheceu o meu valô!

Livrou-me das mãos dos inimigo,
Pediu ao padre que me desce a benção,
Pediu ao coroné que me desse abrigo,
E dilacerou um mundo ao quar não me merecia!

Que bom poeta que bom companheiro,
Para fumar um cigarro de páia,
Brindar ao mundo, ao mundo intêro,
E fazê as barba, cun a navaia!

É a navaia de um irmão,
Que só encherga, quem tem o mal no coração,
Estancano da vida o seu aporte,
Doce veneno, doce morti,

Mas minha namoradinha, poetisa,
Tão delicada quanto brisa,
Beijou-me cun a língua de molusco,
Que jamais esquecerei teu gosto!

Cum tanta dô nos coração,
Das mardade desse mundo,
Que maltratou quem se destacou,
Hoje maltrata, o que é imundo!

Num paradigma, digno de evoluídos,
Num contragolpe aos inimigos,
Que hoje não comem mais que ração,
Para burro, mula e zebra!

E o paradigma dos antigo,
Tinha os chero dos seus umbigo,
Cherava merda, cherava coco,
Dos seus célebros, este era o sabor!

Mas nossos encéfalos obstinados,
Por vingança e dominança,
Que são bons pratos crus ou cozidos,
Desde que não matemos nossas lembranças!

Não vi na vida, nenhum pecado,
Pois isto é coisa de viado,
Eu vi o amor num passarinho,
Eu vi o amor num pequenino buquêt de três frô,
Eu vi o amor no desamor!

Por ser tão só e vaga mundo,
Meu peito vaga, pelos putêro,
Concertando o que é apoético
Modificano o que é ante-estético,

Pois o poeta é um contraditor,
Que contradiz-se completamente,
Tangendo até para a dor,
O amor de quem o ama e sente!

E se essa minha lida, for insana,
Se minha sacanagem, for profana,
Me comprovem, pru favô!
Que tô errado meus sinhô!

Pois os meus verso são da pena,
De um condor, uma águia, um abutre errante,
Que só sossega nos seios das carniça,
De um hipopótamo ou alufante,
De uma caça esfuziante!

Pois o poeta, o é cicuta,
Que qual veneno, desce do verde olhar,
Para matar quem contra as puta,
Tem sentimentos de matar!

Pois o poeta não profana as vaca!
Bebe seus leite nas tetas,
Nos meios dos campos mais lindos, quase todos,
Das flores das pradarias!

Pois o poeta se aceita,
A sua cor de chá de burro do nordeste,
Não é marica, não é da peste,
É um verdadeiro cabra da peste! 

Por isso insisto-vos, pru favô,
Ouçam meus vesu aos qual vos digo,
A vida só tem um valor, amar fudê com muito amor,
Trepá e vê gozá as frô!

Trepá até o amanhecê, beijando as boca com fervô,
Colhendo cada dia uma frô no campo,
Para corrê por todo o seu corpo, com a lingua do Bocage,
Na maio putaria, na maio sacanage!

Fazê Vieira, meche-se no túmulo,
Levá pro leito, a meretriz,
Levá a santa e torna-la puta,
Provar como toque de rosa em rosa,
Com a língua, seus lindos grandes lábios,
Escravisando-a para todo o sempre!

Sendo delas, a melhor lembrança de suas vidas,
Sendo delas, o que não sai da memória,
Sendo delas, o amor mais forte em vida,
Sendo delas, do amor, a mais linda história,
Os mais belos momentos de alegria, gozo e felicidade,
E a pior maldade, tocá-las para sempre e trocá-las, pru outra frô!

Eduardo Gomes, 21/04/2005 (Pelo Espírito de Patativa do Assaré)

 

Autor: Eduardo Gomes
Data: 21/04/2005


 
 

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