Poesias

OLIVER HARDEN       Voltar   Imprimir   Enviar   Email

O Eco Estéril do Passado... ( Oliver Harden )

Quando o sussurro do passado reclamar tua atenção, insinuando-se com sua voz espectral e persuasiva, detém-te, ó alma errante, e curva-te não à nostalgia, mas à reflexão. Pois logo perceberás que o passado, hábil em sua insistência, raramente se apresenta como verdade, ele se disfarça de revelação enquanto não passa de um artífice de ilusões, um espelho turvo que devolve apenas o que já foi, jamais aquilo que pode vir a ser.
 
A memória, esse relicário ambíguo dos tempos idos, seduz-nos com sua arquitetura de lembranças, convidando-nos a revisitá-las como se ainda houvesse nelas um segredo por decifrar. No entanto, que valor reside em folhear páginas já lidas, cujas palavras se gastaram pelo manuseio obsessivo da consciência? O passado, em sua natureza irrevogável, pode instruir ou aprisionar. O erro não está em recordar, mas em ajoelhar-se diante daquilo que já cumpriu sua função.
 
Quando o pretérito te chamar com a promessa de uma compreensão tardia, reconhece o engodo. Ele não oferece respostas novas, apenas círculos viciosos do pensamento, labirintos onde o espírito caminha sem avançar, confundindo repetição com profundidade. O passado é eco, não voz viva, é sombra que se alonga ao entardecer, incapaz de alterar o curso do sol.
 
O homem verdadeiramente sábio não nega o passado, mas tampouco se deixa governar por ele. Compreende que seu valor reside unicamente no aprendizado já assimilado, não na ruminação estéril de dores antigas ou glórias fossilizadas. A sabedoria consiste em extrair sentido, e não em eternizar feridas. O passado deve ser compreendido, não habitado.
 
O verdadeiro caminhar exige presença. É no agora que pulsa a possibilidade do inédito, é no instante vivo que a existência se oferece como criação e risco. Permanecer acorrentado ao que foi é renunciar à coragem de existir plenamente, é trocar o movimento pela repetição, a vida pela recordação.
 
Assim, quando o passado te invocar, concede-lhe reconhecimento, mas não submissão. Escuta-o sem obedecê-lo. Honra-o sem servir-lhe. Mantém-te fiel à renovação, à audácia silenciosa de quem compreende que o porvir não se constrói com os escombros do ontem, mas com a lucidez do presente.
 
Pois é na tessitura do agora que o destino se forja, e somente aquele que ousa desatar-se das âncoras do tempo pode, enfim, navegar em direção ao infinito.
 
Oliver Harden

Autor: Eduardo Gomes
Data: 05/02/2026

 

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