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As três emoções dolorosas primárias ( Arnina Kashtan )
Essas emoções existem e operam a partir do sistema límbico (o cérebro primitivo) e cada uma delas é motivada por uma profunda necessidade existencial, que é projetada para inspirar defesas nos níveis existencial, pessoal, social ou espiritual.
Essas emoções, como as emoções em geral, são ondas de energia de curta duração que, se estivessem agindo naturalmente, como ocorria na infância, desapareceriam no final de sua função sem que se experimentasse uma estagnação. Mas a maioria as conhece como emoções que estão presentes há muito tempo (por anos e gerações) e que aparecem com frequência.
Essa confusão histórica é criada pela intervenção do córtex (o cérebro pensante) no processo, já que todos são doutrinados a interpretá-las. A presença do córtex gera histórias e interpretações, alimentadas por opiniões, valores e crenças baseados no paradigma 'certo / errado'. Por este motivo, as pessoas perdem a conexão direta com a motivação natural desses sentimentos.
Os adultos quase não reconhecem o surgimento dessas emoções como uma resposta direta a uma necessidade não atendida e / ou a qualquer situação no momento em que ocorre. Isso cria uma complicação que enreda o sujeito no efeito desses sentimentos por muito mais tempo do que seria sua intenção básica.
É interessante examinar como o medo reside no âmago de tudo.
Medos são sentimentos relacionados à existência pessoal. A culpa e a vergonha estão relacionadas à existência social.
As pessoas ficam presas a esses sentimentos porque acreditam nas histórias que acompanham a sua experiência (embora, na realidade, essa experiência tenha nascido dessas mesmas histórias). E é assim que o sofrimento é criado: como as pessoas acreditam nas histórias, as vêem como uma descrição da realidade, e se encontram presas a elas e às emoções dolorosas resultantes. Neste estado, os indivíduos não estão presentes com o que realmente está acontecendo e, portanto, estão incapazes de reagir a partir de si mesmos, do seu interior (ou seja, a partir da conexão com as próprias necessidades), ou da realidade.
O principal trabalho com esses sentimentos é separá-los das 'histórias' que ainda estão presas a eles, de forma a restaurar sua função natural. Em outras palavras, a prática (ou seja, desconstruir as histórias ou o histórico do próprio evento) permite sentir esses sentimentos por períodos mais curtos e, assim, reduzir o sofrimento que muitas vezes os acompanha (decorrente da participação do pensamento em seu funcionamento).
Quando se está conectado com a realidade e com a experiência que ocorre dentro de si em resposta às suas necessidades no momento, a pessoa está presente e, portanto, tem uma maior possibilidade de encontrar escolhas que surgem das necessidades e da própria realidade.
As três emoções dolorosas primárias ( Arnina Kashtan )
Autor: Eduardo Gomes Data: 08/01/2026
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