Poesias

OLIVER HARDEN       Voltar   Imprimir   Enviar   Email

O Orgulho ( Oliver Harden )

O orgulho não nasce da grandeza, mas da sensação de insignificância. Ele não brota do excesso de ser, mas da carência silenciosa de reconhecimento. Quanto mais frágil é o lugar que o sujeito ocupa em si mesmo, mais ele se apega a uma imagem inflada, rígida, defensiva, como quem ergue um monumento sobre um terreno instável para convencer a si próprio de que ali há solidez.
 
A verdadeira grandeza é discreta. Ela não precisa anunciar-se, não exige plateia, não se ofende com facilidade. Quem é grande por dentro não se mede constantemente com o mundo, não vive em estado de comparação permanente. O orgulho, ao contrário, vive de espelhos, de olhares alheios, de pequenas confirmações externas que funcionam como próteses de identidade. Ele é barulhento porque tenta abafar um vazio.
 
Há algo de profundamente trágico nesse mecanismo. O orgulho se apresenta como força, mas é, em essência, um pedido mal disfarçado de validação. Ele reage com violência simbólica a mínimas contrariedades porque cada gesto alheio é interpretado como ameaça à já precária sensação de existir. Não é o insulto que dói, é a lembrança de que talvez não se seja tão necessário, tão central, tão visto quanto se gostaria.
 
Psicologicamente, o orgulho é uma armadura forjada não para a guerra, mas para o medo. Ele protege uma ferida que não cicatrizou, uma percepção íntima de irrelevância que o sujeito não suporta encarar. Em vez de descer a esse ponto vulnerável e trabalhá-lo, constrói-se uma persona rígida, susceptível, sempre pronta a reagir. O orgulho não eleva, ele enrijece.
 
A grandeza autêntica, por sua vez, nasce da reconciliação com a própria limitação. É quando o indivíduo aceita sua condição finita, falha e comum que paradoxalmente se torna mais inteiro. Quem não precisa provar nada já ultrapassou o estágio da comparação. Quem suporta a própria pequenez sem ressentimento alcança uma forma rara de liberdade.
 
Por isso, o orgulho é sempre um sinal, não de excesso, mas de falta. Ele aponta para um lugar onde o ser não se sente suficiente. Enquanto a grandeza silencia e acolhe, o orgulho grita e exige. Um nasce da plenitude que não precisa se afirmar, o outro da insignificância que implora por forma.
 
Talvez o verdadeiro amadurecimento consista em trocar o orgulho pela dignidade, essa virtude silenciosa que não se impõe, não se exibe e não se fere facilmente. A dignidade aceita o próprio tamanho e, justamente por isso, não precisa inflá-lo. É ali, nesse acordo íntimo com o que se é, que a grandeza começa, não como espetáculo, mas como estado de espírito.
 
Texto de Oliver Harden...

Autor: Eduardo Gomes
Data: 20/12/2025

 

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